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João Isidoro Pereira, nasceu em Guapiaçu-SP em 04 de junho de 1927.
Com 8 anos, era engraxate e também fazia carretos na feira livre em São José do Rio Preto-SP, além de já tocar cavaquinho nos bailes.
João Isidoro iniciou a carreira artística aos 17 anos de idade em circos onde se apresentava como instrumentista, cantor e também ator de dramas e comédias, tendo adotado o nome artístico de Bonifácio. E foi num circo que formou uma dupla com Cacau do Sertão que foi quem lhe sugeriu um nome mais sertanejo: "...você é João. Que tal João do Campo? ... Não! Zé do Rancho!!"
E em 1950, já tendo adotado o nome artístico de Zé do Rancho, atuou durante 4 anos tocando guitarra elétrica e cantando na Orquestra Nelson de Tupã-SP.
Em 1954, Zé do Rancho seguiu para a capital paulista a convite da Rádio Tupi e passou a participar do famoso trio juntamente com Serrinha e Riellinho, tendo Zé do Rancho substituído o Caboclinho, que já apresentava problemas de saúde.
Zé do Rancho participou do "Trio Mais Querido do Brasil" de forma intermitente até 1957, ano do falecimento do Caboclinho. A partir de então, Zé do Rancho assumiu de vez o lugar e integrou o trio "Serrinha, Zé do Rancho e Riellinho" até 1962, com diversos shows e gravações. E continuaram a apresentar o programa na Rádio Tupi às terças, quintas e sábados sempre às 18:30 hs.
Na mesma época, Zé do Rancho também formou uma dupla com seu irmão Gumercindo Isidoro Pereira (nascido em Guapiaçu-SP em 1930 e falecido em Paranaguá-PR em 1969), que adotou o nome artístico de Zé do Pinho. "Zé do Rancho e Zé do Pinho" gravaram em 1956 e 1957 dois "bolachões" 78 RPM com destaque para as músicas "Três Companheiros" (João Batista) e "Rincão Mato-Grossense" (Zé do Rancho e Zacarias Mourão). Zé do Rancho teve mais tarde outro companheiro que também adotou o nome de Zé do Pinho.
Em 1962, com a aposentadoria de Serrinha, a esposa de Zé do Rancho, Maria Vieira da Silva (nascida em Bauru-SP em 07 de fevereiro de 1939 e que Zé do Rancho havia conhecido em 1957) passou a integrar o trio que, por sua vez, foi desfeito em 1965. A nova dupla "Zé do Rancho e Mariazinha" foi depois para a Rádio Nacional de São Paulo-SP, na qual permaneceu de 1969 até 1971.
Zé do Rancho e Mariazinha gravaram 4 LP's até 1972. O maior sucesso da nova dupla foi sem dúvida a bem humorada composição "Abra a Porta Mariquinha (Resposta da Mariquinha)" (Zé Batuta, Quintino Eliseu e Zé do Rancho), gravada na RCA em 1969.
Mariazinha deixou a dupla em 1972 e, dois anos depois, passou a integrar o Duo Glacial, tendo substituído Ana Servan Vidal (nascida em Onda Verde-SP em 15 de dezembro de 1941), que integrava o duo até então juntamente com seu irmão Miguel Servan Vidal (nascido em Mirassol-SP em 01 de janeiro de 1936). Logo depois, Mariazinha optou por abandonar a carreira artística, passando a viver em Campinas-SP, juntamente com Noely, sua filha, esposa de Xororó.
Em 1975 Zé do Rancho formou uma nova dupla com Sebastião Gomes (nascido em Ariranha-SP em 1951) e que era até então o Vilmar da dupla "Valmir e Vilmar". Sebastião também adotou o nome artístico de Zé do Pinho, o mesmo nome artístico que já havia sido adotado pelo Gumercindo, irmão de Zé do Rancho, antes desse formar o trio com Serrinha e Rielinho.
Zé do Rancho e Zé do Pinho emplacaram diversos sucessos tais como "No Colo da Noite" (Lindomar Castilho e Ronaldo Adriano), "Devolva a Passagem" (Zé do Rancho e Ronaldo Adriano) e "Meu Sítio, Meu Paraíso" (Zé do Rancho), apenas para citar algumas, além da regravação de "Bom Jesus de Pirapora" (Serrinha e Ado Benatti).
A dupla Zé do Rancho e Zé do Pinho terminou em 1980, após ter gravado 6 LP's pela RCA. Zé do Pinho abandonou a carreira artística e seguiu carreira religiosa como Pastor Protestante.
A convite de Nenete, que era produtor sertanejo, Zé do Rancho também gravou três discos como solista de viola: os LP's "A Viola do Zé" (1966), "Viola Sertaneja" (1981), e "Viola Enluarada" (1988), com destaque para "Lamentos da Viola" (Nenete e Zé do Rancho), "Chalana" (Mário Zan e Arlindo Pinto), "Rio Abaixo" (J. da Silva Vidal e Zé do Rancho), "Lembranças" (Zé Fortuna), "A Viola e o Violão" (Nenete e Zé do Rancho), além de "Disparada" (Geraldo Vandré e Théo de Barros) e "Despertar da Montanha" (Eduardo Souto),
Pouco conhecido, porém excelente, é o trabalho de Zé do Rancho como instrumentista, não apenas na viola caipira, mas também no violão e no cavaquinho. Também já gravou juntamente com Tonico e Tinoco, Sérgio Reis e Léo Canhoto e Robertinho, além de ter acompanhado artistas do porte de Vicente Celestino. Zé do Rancho, porém, não era creditado nas capas dos discos dos quais participava.
Zé do Rancho foi também produtor artístico nas gravadoras RGE, em 1960, e RCA, em 1974. Além da Rádio Tupi e da Rádio Nacional, também produziu e apresentou programas na Bandeirantes e na Nove de Julho. Acredita-se que Zé do Rancho tenha composto e gravado cerca de 200 músicas, que também foram gravadas por renomados artistas como Sérgio Reis, Belmonte e Amaraí, Milionário e José Rico e Irmãs Galvão.
Zé do Rancho não tem mais gravado em estúdio desde 1998. Queixa-se de ter "perdido o pique", além de não se adaptar muito bem com os fones de ouvido. Por outro lado, continua gravando de forma amadorística em seu estúdio caseiro, com 24 canais e tocando a viola, o violão e também o cavaquinho e a guitarra. Mas garante que ainda volta a cantar, dizendo que quando achar uma segunda voz bonita, será capaz de fazer quase igual ao que fazia há 15 ou 20 anos.
E, no dia 04 de junho de 2007, Zé do Rancho comemorou seu 80º Aniversário em alto estilo, numa belíssima apresentação no Vila Country, na capital paulista, no qual resultou na gravação do CD e DVD "Histórias de uma Viola".
Diversos músicos famosos dividiram o palco com Zé do Rancho nessa apresentação, tais como seus netos Sandy e Junior, além da Família Lima, Chitãozinho e Xororó, Mariazinha, Zé do Pinho, Sérgio Reis e as Irmãs Galvão.
Texto: Sandra Cristina Peripato
Fonte: www.boamusicaricardinho.com

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