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Diogo Mulero, o Palmeira, nasceu em Agudos, interior do estado de São Paulo, em 1918 e faleceu em São Paulo no dia 29 de junho de 1967. O sucesso do "Menino da Porteira" (Teddy Vieira e Luizinho) mostrou-nos o que a cidade de Ouro Fino/MG significa para a música caipira raiz. Nessa cidade mineira, existe também a "Rua Diogo Mulero", que homenageia um dos maiores compositores e cantores brasileiros, que cantou em dupla com Piraci, Luizinho e Biá. Piraci, por outro lado, também é nome de rua em sua cidade natal, Piracicaba/SP: Rua Miguel Lopes Rodrigues.
A dupla, formada por Diogo Mulero, o Palmeira, e Miguel Lopes Rodrigues, o Piraci (abreviação de "Piracicabano") nascido em Piracicaba/SP em 1917 e falecido em Caieiras/SP em 1974), teve início em 1941 na Rádio São Paulo, a convite de Oduvaldo Viana e, logo em seguida, no Rio de Janeiro, gravou seu primeiro disco na RCA-Victor, destacando-se "Carro de Boi" (Capitão Furtado e Orlando Puzone).
No Rio de Janeiro, a dupla se apresentou, também, na Rádio Nacional e no Cassino Atlântico. Foi nessa época, na cidade maravilhosa, que Piracicabano abreviou seu nome artístico para "Piraci". Em 1945, Palmeira e Piraci voltaram pra São Paulo e foram trabalhar na Rádio Difusora no programa "Longe da Cidade". Em São Paulo, atuaram também no legendário programa "Arraial da Curva Torta", produzido e apresentado pelo Capitão Furtado, (Ariowaldo Pires, sobrinho de Cornélio Pires).
Palmeira e Piraci compuseram diversas outras músicas, sozinhos e também com parceiros. Ainda no mesmo ano gravaram um disco 78 RPM juntamente com Tonico e Tinoco que, no Lado A, gravaram "Em Vez de Me Agradecê" (Capitão Furtado, Jayme Martins e Aymoré); e, no Lado B, Palmeira e Piraci gravaram a moda de viola "Salada Internacional" (Palmeira, Piraci e Ariowaldo Pires).
Em 1946, a dupla se separou e Palmeira passou a cantar em dupla com Luizinho. A dupla foi logo contratada pela Rádio Tupi de São Paulo e, pela Continental, lançou seu primeiro disco com destaque para "Burro Picaço" (Anacleto Rosas Jr. e Geraldo Costa) e "Cavalo Preto" (Anacleto Rosas Júnior).
Em 1950 Palmeira e Luizinho foram contratados pela RCA-Víctor, onde gravaram diversos sucessos. No mesmo ano, com a sanfoneira Zezinha, formaram o "Trio Orgulho do Brasil", que logo se desfez.
Palmeira e Luizinho foram considerados os "Criadores da Moda Campeira" e contaram para seu repertório com dois dos principais compositores caipiras da época, Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr. Também cantavam freqüentemente acompanhados pela acordeonista Zezinha.
Em 1953, Palmeira e Luizinho gravaram o último disco pois, logo depois, a dupla se desfez. Palmeira formou então a dupla com Biá; e Luizinho fez dupla com Limeira (foi inclusive a dupla que, pela primeira vez, gravou o célebre "Menino da Porteira" (Teddy Vieira e Luizinho), em 1955).
Biá (Sebastião Alves da Cunha, o Sabiá, nascido em Coromandel/MG em 1927), que até então fazia dupla com Mariano, passou a integrar com Palmeira a dupla "Palmeira e Biá" a partir de 1953.
Em São Paulo-SP, foram contratados pela Rádio Piratininga, para fazer um programa semanal, toda terça-feira às 21 horas. A dupla trabalhou acompanhada pelo sanfoneiro Alberto Calçada (célebre por excelentes interpretações de diversas valsas de Zequinha de Abreu, tais como "Branca", "Aurora", "Tardes em Lindóia", "Último Beijo" e "Rosa Desfolhada".
Em seu primeiro ano de atuação, a dupla Palmeira e Biá gravou 10 discos 78 RPM, numa média de quase um por mês. Gravaram além de composições próprias, outras músicas, de conhecidos e renomados compositores, tais como Teddy Vieira e Nhô Pai.
No ano seguinte, em 1954, a dupla passou a se apresentar juntamente com o célebre acordeonista Mário Zan em excursões por vários estados do Brasil. A dupla manteve o mesmo ritmo de gravações do ano anterior, com lançamentos sucessivos, dentre os quais, a toada "Couro de Boi", (Palmeira e Teddy Vieira), que além de grande sucesso, tornou-se um clássico da música caipira. E, no ano seguinte, em 1955 lançaram mais um grande sucesso, "Disco Voador" (Palmeira). No mesmo ano gravaram a toada "Carmen Miranda" (Palmeira e Capitão Barduíno), que foi uma homenagem à pequena notável que havia falecido naquele ano nos Estados Unidos.
E em 1956, Palmeira e Biá gravaram o bolero "Boneca Cobiçada" (Biá e Bolinha), o maior sucesso da dupla com mais de 500 mil cópias vendidas e que se tornou um clássico da MPB, tendo sido regravado inúmeras vezes, por diversos artistas, como por exemplo, Carlos Galhardo. "Boneca Cobiçada" virou filme com o mesmo nome e tornou-se um marco da música sertaneja, por incluir novas temáticas, além de novos arranjos e nova instrumentação.
Palmeira e Biá ficaram conhecidos como "Os Coronéis da Música Sertaneja".
Não podemos nos esquecer de que Teddy Vieira também foi um parceiro constante de Palmeira e juntos compuseram o já mencionado "Couro de Boi", obra que se tornou um clássico da nossa música caipira raiz, conforme já mencionado acima.
Palmeira assumiu também o cargo de Diretor Artístico do Setor Sertanejo, na RCA-Víctor e, em 1958, foi contratado pela Chantecler como Diretor Geral.
Mas, em 1965, Palmeira e Biá se separaram e Biá passou a fazer dupla com seu irmão Sílvio, o Biazinho. (Biá também chegou a cantar em dupla com Dino Franco de 1972 até o início da década de 80).
Palmeira continuou compondo e foi creditado a ele o lançamento do cantor Francisco Petrônio, a quem entregou "Valsa da Saudade" (Palmeira e Zairo Marinoso), que logo faria suspirar os corações brasileiros, além dos célebres sucessos "O Amor Mais Puro" (Palmeira) e também "O Baile da Saudade" (Palmeira e Zairo Marinoso), a célebre valsa que nos leva a um maravilhoso passado de belas danças em compasso ternário e excelentes bandas tocando no coreto da praça!
Algumas composições de Palmeira:

- Adeus Morena (Palmeira e Piraci)
- Arroz à Carretera (Palmeira e Mário Zan)
- Baião da Serra Grande (Palmeira e Fred Williams)
- Boiadeiro Triste (Palmeira e Mário Zan)
- Caboclinho Apaixonado (Serrinha, Palmeira e Piraci)
- Carmen Miranda (Palmeira e Capitão Barduíno)
- Carta Para o Expedicionário (Capitão Furtado e Palmeira)
- Céu de Goiás (Palmeira e Biá)
- Congada de Ouro Fino (Palmeira)
- Couro de Boi (Palmeira e Teddy Vieira)
- Curimbatá (Palmeira e Mário Zan)
- Disco Voador (Palmeira)
- Ébrio de Amor (Ramoncito Gomes e Palmeira)
- Festa na Roça (Mário Zan e Palmeira)
- Louvação a São Gonçalo (Capitão Furtado, Palmeira e Piraci)
- Nóis na Oropa (Palmeira e Piraci)
- O Amor Mais Puro (Palmeira)
- O Baile da Saudade (Palmeira e Zairo Marinoso)
- O Burro Canário (Palmeira)
- O Milagre de Tambaú (Teddy Vieira e Palmeira)
- O Mundo Daqui a Cem Anos (Capitão Furtado, Palmeira e Piraci)
- O Nariz da Mulher (Capitão Furtado e Palmeira)
- O Segredo Está no Molho (Arlindo Pinto e Palmeira)
- Os Homens Não Devem Chorar (Nova Flor) (Mário Zan e Palmeira)
- Paraguaya Pepita de Oro (Capitão Furtado e Palmeira)
- Paraná do Norte (Palmeira)
- Recordações (Mário Zan e Palmeira)
- Resposta do Couro de Boi (Palmeira e Biá)
- Salada Internacional (Capitão Furtado, Palmeira e Piraci)
- São Judas Tadeu (Palmeira e Luizinho)
- Sina do Beija-Flor (Capitão Furtado, Palmeira e Piraci)
- Vai de Roda (Teddy Vieira e Palmeira)
- Valsa da Saudade (Palmeira e Zairo Marinoso)
- Você Já Viu o Cruzeiro? (Capitão Furtado, Palmeira e Piraci)
- Volta Comigo Morena (Palmeira e Piraci)


 

 

Texto: Sandra Cristina Peripato

Fonte: www.boamusicaricardinho.com