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João Leôncio, o Mocóca, nasceu no dia 29/03/1939 em Mococa-SP; foi, no entanto, registrado em Arceburgo-MG, município próximo de Mocóca-SP, possivelmente porque seu pai "queria que o filho fosse mineiro".
Adotando o nome artístico de Canhoto, João Leôncio cantou desde a infância até seus 20 anos de idade na Rádio Clube de Mococa com seu parceiro Garotinho. Era a dupla "Canhoto e Garotinho".
Aos 20 anos de idade, trabalhando na Camargo Corrêa, João Leôncio foi transferido para a capital paulista e, em 1961, fez dupla com Mouraí, com quem gravou dois compactos duplos.
Em 1968, João Leôncio, já com o nome artístico de Mocóca, formou a famosa dupla com João Maurício de Oliveira, o Moraci, nascido em Prata-MG em 1948 e que faleceu no dia 20/08/1985, vítima de acidente automobilístico em São José do Rio Preto-SP.
"Mococa e Moraci" gravaram 33 LPs e a dupla durou 17 anos, até a trágica morte de Moraci. Foram destaques alguns sucessos tais como: "O Grande Milagre" (Miltinho Rodrigues), "O Céu Chorou Por Mim" (Haroldo José e A. Calçada), "A Noiva do meu Bairro" (Miltinho Rodrigues), "Convite de Casamento" (Miltinho Rodrigues e Sebastião Victor), "Copo de Cerveja" (Sebastião Victor), "Velho Sozinho" (Roberto Stanganelli e Hélio Cavenaghi) e "Fuscão Preto" ( Jeca Mineiro e Atílio Versutti), apenas para citar algumas.
De 1970 a 1975, Mococa e Moraci participavam do "Programa Edgard de Souza" que ia ao ar todas as terças-feiras às 21:30 pela Rádio Nacional de São Paulo-SP. E, de 1976 a 1981, a dupla participava do inesquecível "Linha Sertaneja Classe A", pela Rádio Record de São Paulo-SP, programa comandado por Sebastião Victor e também por Zé Bettio.
Sebastião Victor e Miltinho Rodrigues foram dois dos principais compositores dos maiores sucessos interpretados pela já famosa dupla.
Após o repentino falecimento de Moraci em 1985, foi que Mococa formou a dupla com Paraíso no ano seguinte.
José Plínio Transferetti, o Paraíso, nasceu no dia 01/06/1947 em Elias Fausto-SP, na mesma época em que Eurico Gaspar Dutra, por "imposição de sua esposa", havia proibido o jogo e fechado os cassinos no Brasil, fato que prejudicou grandes e excelentes artistas que se apresentavam nessas casas, como acontecia por exemplo no renomado Cassino da Urca, no Rio de Janeiro-RJ.
Como se nota em seu sobrenome, José Plínio é de origem italiana. Seu avô veio de Mântua, como imigrante. Seu pai Antônio trabalhou na roça na região de Campinas-SP como vaqueiro e amansador de potro. Desde a infância, com o apoio de seu pai, José Plínio já se apresentava em festinhas, clubes e também na Rádio Cacique de Capivari-SP, no "Programa do Zé Coruja", integrando a dupla "Caboclo e Caboclinho".
Em 1962, com o incentivo que o então Presidente Juscelino Kubitschéck de Oliveira havia injetado em todo o povo brasileiro, José Plínio se mudou juntamente com a família para São Paulo onde continuou sua procura por um parceiro com quem pudesse formar uma dupla sertaneja.
E foi somente em 1967, durante o regime militar, que José Plínio adotou o nome de Cristiano e formou a dupla "Cristiano e Cristalino", a qual conquistou o 1º lugar no Festival de Música Sertaneja da TV Cultura, com a música "Nossa Mensagem" ( Goiá).
O prêmio desse Festival (idealizado por Geraldo Meirelles em seu programa "Cidade Sertaneja") era o grande sonho dos artistas do gênero: a gravação de um disco na Chantecler, gravadora que era na época um reduto de grandes nomes da nossa boa música brasileira. E, também como prêmio, a dupla assinou um contrato por um ano com a Rádio Nove de Julho de São Paulo-SP.
José Plínio também já atuava na composição, tendo músicas suas gravadas por intérpretes já renomados tais como Abel e Caim e Lourenço e Lourival.
Em 1974, José Plínio adotou o nome de Smith e formou juntamente com Aparecido Tomás de Oliveira a dupla "Scoth e Smith" e gravaram dois LPs na Chantecler; destaque para "Deu Zebra na Minha Vida" (Benedito Sevieiro e Sebastião Victor), "O Abajur" (Benedito Sevieiro e Sebastião Victor) e "Minha Santa Pecadora" (Benedito Sevieiro e Sebastião Victor). "Scoth e Smith" também participaram do "Linha Sertaneja Classe A" na Rádio Record de São Paulo-SP.
E em 1978, a dupla mudou o nome para "Tomás e Timóteo" e gravou um LP na gravadora Tapecar, com destaque para "Inferno da Vida" (Benedito Seviero e Tomás).
E foi nesse mesmo ano de 1978 que José Plínio, ainda com o pseudônimo de Timóteo, chamou a atenção do Criador e Rei do Pagode Tião Carreiro que, após uma de suas famosas brigas com o Pardinho, convidou-o para trabalhar com ele e sugeriu seu atual nome artístico de Paraíso. E a dupla "Tião Carreiro e Paraíso" gravou 4 LPs na Continental e durou até o ano de 1981, quando Tião Carreiro e Pardinho fizeram as pazes e voltaram a formar a célebre dupla.
E, ainda em 1981, quando o Brasil já se encontrava "a caminho da Democracia", na gestão do então Presidente da República, o General João Batista Figueiredo, Paraíso gravou juntamente com "Cézar e Paulinho" (filhos do Craveiro da dupla Craveiro e Cravinho) "Noite Maravilhosa" (Paraíso) que foi não apenas o primeiro grande sucesso de uma composição sua como também o primeiro sucesso e faixa-título do quarto LP da dupla "Cézar e Paulinho".
E, na mesma época, em parceria com José Fortuna, Paraíso também criou composições musicais que marcaram de forma bastante significativa o nosso cancioneiro, como por exemplo "O Ipê e o Prisioneiro" (José Fortuna e Paraíso), "As Flores do Lago" (José Fortuna e Paraíso), "Avenida Boiadeira" (José Fortuna e Paraíso), "Cunhada" (José Fortuna e Paraíso), "Mãe Terra" (José Fortuna e Paraíso) e "Raízes do Amor" (José Fortuna e Paraíso), apenas para citar algumas.
O inesquecível compositor José Fortuna, além de ter sido um dos principais parceiros na composição, era sogro do Paraíso, já que ele é casado com sua filha, a atriz e compositora Iara Fortuna.
Paraíso também compôs páginas célebres do repertório caipira raiz em parceria com José Caetano Erba, dentre as quais podemos destacar "Cadeira de Balanço" (Caetano Erba e Paraíso), "Saco de Ouro" (Paraíso e Caetano Erba), "Mala Amarela" (Caetano Erba e Paraíso) e "O Escravo" (Caetano Erba e Paraíso).
"Saco de Ouro" foi a primeira composição da parceria de Paraíso com José Caetano Erba, sendo que sua letra foi inspirada na lida de seu pai, apesar de não ser exatamente uma biografia. De acordo com Paraíso, "Esse era o jeito do pessoal na época: ia guardando os trens num saco e deixando num canto. E ali estava a história de cada um."
E, além dos já citados, Paraíso também compôs inúmeras obras primas juntamente com Moacyr dos Santos, tais como "Franguinho na Panela" (Moacyr dos Santos e Paraíso), "Não É Mole Não" (Paraíso e Moacyr dos Santos), "O Esteio e o Estorvo" (Moacyr dos Santos e Paraíso), "O Gato e a Pomba" (Moacyr dos Santos e Paraíso) e "Pé de Boi e Mão de Vaca" (Moacyr dos Santos e Paraíso).
Paraíso era por sinal muito amigo de Moacyr dos Santos e "Franguinho na Panela" teve uma história "sui-generis", já que Moacyr um dia foi ao escritório de Paraíso e lhe mostrou um "rascunho" da belíssima composição, a qual encantou o parceiro que, ocupado, acabou "deixando o franguinho para outro dia".
Porém, poucos dias depois, Moacyr "partiu para o andar de cima" e Paraíso, bastante chateado, tentava lembrar como era a melodia do "franguinho"... E nada! Até que, bastante tempo depois, uma dupla caipira foi ao seu escritório, querendo orientação para gravar um disco e, numa fita, levavam também uma gravação do que seria a "idéia básica" do mesmo "Franguinho na Panela".
Moacyr dos Santos também era amigo dessa dupla e havia apresentado a eles o "franguinho". Paraíso fez então o "acabamento" tão desejado e a primeira gravação ficou a cargo de Craveiro e Cravinho, que, com bastante alegria, num momento de retorno à carreira artística, fizeram ficar ainda mais bonito o "Franguinho na Panela" (Moacyr dos Santos e Paraíso) e, com sucesso imediato.
Como produtor, Paraíso também tornou conhecida a dupla "João Paulo e Daniel", levada por ele à gravadora Continental e que gravou inclusive "A Loira do Carro Branco" (Jesus Belmiro e Paraíso) e também "Fazenda São Francisco" (Maior Proeza) (Jesus Belmiro e Paraíso).
Foi no ano de 1986, um ano após o falecimento repentino de Moraci, que Paraíso formou com João Leôncio a dupla "Mococa e Paraíso", tendo lançado o primeiro disco pela gravadora 3M do Brasil, com destaque para "Saco de Ouro" (Paraíso e Caetano Erba), "Orelhão Azul" (Morgado e Carlos César), "Os Homens Não Devem Chorar (Nova Flor) (Palmeira e Mário Zan), além da célebre e já mencionada "O Ipê e o Prisioneiro" (José Fortuna e Paraíso).
Também conhecida como a "Dupla Café com Leite", "Mocóca e Paraíso" são ligados às raízes da m úsica sertaneja e interpretam belíssimas músicas que falam das coisas simples, cantando a vida e o árduo trabalho do homem do campo. No entanto, têm gravado também obras musicais de cunho romântico, aproximando-se muito do controvertido estilo "pop-sertanejo", com sucessos tais como "Orelhão Azul" (Morgado e Carlos Cezar) e "Licor de Amor" (Iara Fortuna e Paraíso).
No entanto, em seu Site Oficial, Mococa e Paraíso esclarecem que, "...apesar do romantismo que existe em seus repertórios, a característica sertaneja da dupla está sempre firmemente presente em todos os seus trabalhos, visto ser esta uma preocupação constante de ambos: não perder jamais a identidade com suas raízes..." E constam realmente em seus trabalhos, lançados em diversas gravadoras, modas de viola tais como "O Caçador" (Moacyr dos Santos e Sulino) e "A Filha do Barbeiro" (Jesus Belmiro e Mococa), e também o pagode de viola "Rimas de Rodeio" (Jesus Belmiro e Paraíso).

 

MOCOCA E PARAÍSO

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Texto: www.boamusicaricardinho.com