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ITAJOBI

"BERÇO DE VIOLEIROS"

 

Vista Central da cidade de Itajobi

Itajobi é um município da microregião de Novo Horizonte, no estado de São Paulo. A cidade tem uma população estimada de aproximadamente 15.000 habitantes.
"Itajobi" provém do termo tupi para "pedra deitada", itá-jubi.
Até o início do século XX, toda a região oeste do estado de São Paulo era território tradicional dos índios caingangues. Em 22 de junho de 1884, Inácio Nantes da Costa e sua mulher criaram a Fazenda Campo Alegre, entre os córregos do Papagaio, Monjolinho, Cisterna e Queixada. No final do século XIX, começaram a chegar imigrantes alemães, sírios e italianos na região, que era chamada de Campo Alegre das Pedras.
Em agosto de 1906, foi criado o Distrito de Paz de Itajubi, através da Lei Estadual 993, de 2 de agosto de 1906. Em 26 de outubro de 1918, a Lei Estadual 1.604 criou o município de Itajubi, desmembrado de Itápolis. O Decreto-lei Estadual 9.073, de 31 de março de 1938, alterou a grafia do nome da cidade para Itajobi.

Vista do Bairro Congonha

 

Por volta de 1899, no Bairro Congonhas, João Costa casa-se com Helena Costa e tiveram os filhos: João Filho, Gabriel, Alípio, Ordália e Gabriela.
Gabriel Paulino da Costa casou-se com Maria Rosa da Costa, filha de Ana Mendes da Silva, e tiveram os filhos: Lázaro, Benedito, José, Círio, João, Maria, Antônio Bernardo (Zico), Domingos (Zéca), Lincoln (Liu), Walter (Léu) e Terezinha.
Gabriel arrendou parte da propriedade da família Bochichi para plantar café e fumo. Tempos depois, foi morar na propriedade de Bernardina Mendes (Dina), propriedade ao lado da família Bochichi. Morou também em uma casa de cor branca bem ao lado da propriedade de Sulidéia Bozeli.
João Costa ficou viúvo e conheceu uma senhora com o sobrenome "Cunha" e, a partir daí, a Família Costa foi apelidada de Família "Cunha".
Gabriela casou-se com Bernardino Vieira Marques, nascido em Leiria/Portugal, que veio para o Brasil ainda mocinho, e tiveram os filhos: Antonio Paulino, Francisco, Isaías, Rubens, Rubião, Maria, Isaura, Adhail e Olívia.
Os irmãos Costa e os irmãos Vieira sempre moraram perto, e cresceram juntos, sempre cantando e dançando catíra, o que já era tradição na família.
Separadamente vamos contar a história de cada uma dessas três duplas tradicionais que fizeram da pequena "Itajobi" um berço de violeiros, e o fato mais marcante é que as três duplas pertencem a mesma família.

Léu, Zéca, Vieirinha, Zico, Zé da Viola e Liu


Em 04 de abril de 2008, a prefeita Catia Rosana Borsio Cardoso inaugura em Itajobi a Praça dos Violeiros, em tributo aos seus filhos ilustres: Liu e Léu, Zico e Zéca, Vieira e Vieirinha, e Abel (da dupla Abel e Caim) que também nasceu nesta mesma cidade.

 

 

VIEIRA E VIEIRINHA

 

Irmãos Vieira

Vieira e Vieirinha

Rubens Vieira Marques (Vieira) nasceu em 20 de setembro de 1926, e Rubião Vieira (Vieirinha) nasceu em 26 de agosto de 1928, ambos em Itajobi, interior do estado de São Paulo.
Filhos de Bernardino Vieira Marques, nascido em Portugal, e Maria Gabriela de Jesus.
Bernardino chegou ao Brasil ainda mocinho, e casou-se com Maria Gabriela, com quem teve nove filhos, sendo cinco homens e quatro mulheres.
Vieira e Vieirinha cantam juntos desde muito crianças, sempre incentivados pelo pai. Cresceram junto com os primos-irmãos Zico e Zéca, e Liu e Léu. Não havia festas que eles não estivessem presentes, sempre cantando e dançando catíra.
Em 1949, conheceram a dupla Tonico e Tinoco, que passaram uns dias no sítio em que moravam, a convite do seu Bernardino. Tonico e Tinoco ao ouvirem os Irmãos Vieira cantar, gostou da dupla e os convidou para apresentações em conjunto nos cinemas da região. Os Irmãos Vieira, devido à timidez, no primeiro show em Catanduva, apresentaram-se de costas para a platéia. Então Tonico e Tinoco virava eles, e eles desviravam e ficavam de costas. Tinoco declara brincando que "os meninos começaram de costas pra arte".
Tonico e Tinoco ofereceram de levá-los para a capital, mas eles ainda não tinham coragem de deixar o interior. Iniciava-se ali uma grande amizade entre as duas duplas. Durante o tempo em que ficaram no sítio da família, colocou na cabeça dos Irmãos Vieira que eles teriam que enfrentar. Aí começaram a se apresentar nas quermesses, nas festas, nos cinemas, nos auditórios, e nas rádios da região, onde em pouco tempo ficaram conhecidos nas redondezas.
No rádio iniciaram em 1948, em Novo Horizonte, na Rádio Novo Horizonte ZYS-9, onde cantavam todos os dias no Programa "O Viajante do Sertão", com o nome de "Irmão Vieira". Depois transferiram-se para a Rádio Clube de Marília, onde permaneceram por dois anos com programa exclusivo patrocinado pelo refrigerante "Gentil".
Em 1950, fizeram a campanha eleitoral de Getúlio Vargas, que foi o primeiro a lhes abrir as portas para o meio artístico. Depois do último comício na cidade de Duartina, ao descerem do trem com Getúlio, ele disse à dupla que se fosse eleito poderiam pedir o que quisessem. Getúlio se elegeu, e os Irmãos Vieira escreveram-lhe uma carta falando do sonho de cantar no Rio de Janeiro. Getúlio então lhes abriu as portas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, mas a mãe deles não deixou eles irem, pois tinha medo do mar. Então pediram a Getúlio uma oportunidade em São Paulo, que os apresentou à Rádio Nacional de São Paulo. Viajaram com o telegrama de Getúlio no bolso. Tinoco foi esperá-los na estação da Luz e ficaram hospedados na casa de Tonico.
Estiveram três vezes na Rádio Nacional, na tentativa de conversar com o diretor da emissora, porém não foram atendidos. Tonico perguntou a eles, se haviam mostrado o telegrama de Getúlio, e eles disseram que não. Quando voltaram à Rádio com o telegrama na mão foram recebidos na hora. Então se apresentaram pela primeira vez naquela emissora no Programa "Alvorada Cabocla", de Nhô Zé, em 1951, com o nome de "Vieira e Vieirinha", que foi adotado por sugestão dos padrinhos Tonico e Tinoco.
Aí conseguiram um programa só deles: "Sertão na Cidade", onde cantavam músicas de Tonico e Tinoco, Serrinha e Caboclinho, e músicas de autoria de Teddy Vieira e José Fortuna.
A Rádio Nacional foi a primeira moradia dos dois em São Paulo. Por alguns meses, dormiram no prédio da emissora. Ali eles cantaram de 1951 à 1954. Retornaram à emissora em 1958. Foram no total 25 anos de Rádio Nacional. De 1955 à 1958, atuaram no famoso Programa "Alma da Terra" da Rádio Tupi, às segundas, quartas e sextas-feiras, das 20:30 às 21:00 horas, o chamado horário nobre do rádio na época.
A dupla foi um exemplo de sucesso no rádio, antes de começarem a gravar disco. Muito diferente dos dias de hoje, naquela época o disco não era o canal direto que colocava as duplas em contato com o seu público, primeiro tinham que fazer o nome no rádio para depois gravarem.
Gravaram seu primeiro disco 78 rpm em 1953, pela Continental, com as músicas "O Canoeiro Não Morreu" e "Nova Londrina".
Foram no total 32 discos 78 rpm. Em 1959 gravaram seu primeiro LP intitulado "Vieira e Vieirinha Apresentam Suas Modas", onde reúnem alguns de seus sucessos gravados em 78 rpm.
A vendagem dos discos e os cachês dos shows renderam-lhe um bom dinheiro e, em 1960, resolveram voltar para o interior, por não se adaptarem à vida na cidade grande. Adquiriram um restaurante de beira de estrada e uma fazenda em Goiás de 1500 hectares comn escritura falsa. Perderam tudo e recomeçaram do zero.
Em 1963 lançaram o LP "A Volta de Vieira e Vieirinha". Daí para frente foram inúmeros discos gravados, que totalizam aproximadamente 35, com os mais variados rítmos, mas a característica que mais marcou a dupla foi a dança da catíra que lhes rendeu o slogan de "Os Maiores Catireiros do Brasil".
A dupla só veio a se desfazer com a morte de Vieirinha, ocorrida em 07 de abril de 1991.
Vieira se afastou da arte por algum tempo, e só voltou em 1996, quando gravou um disco com seu filho Ailton Estulano Vieira, com o nome de "Vieira e Vieira Jr", com quem permaneceu cantando, fazendo shows e se apresentando em programas de TVs.
Vieira faleceu em 09 de julho de 2001.
O maior sucesso da dupla foi sem dúvida "Garça Branca". Mas outras músicas também se destacaram, como "Transporte de Boiada", "Cravo na Cinta", "Rosas de Carne", "Noite Serena", "Silêncio do Berrante", "Adeus Querida", "Ladrão de Mulher", "Recortado Paulista", entre outros.

ZICO E ZÉCA

 

Zico e Zéca

Zico e Zéca

Antônio Bernardo da Costa (Zico) nasceu em 04 de janeiro de 1931, e Domingos Paulino da Costa (Zéca) nasceu em 12 de setembro de 1932, ambos em Itajobi, interior do estado de São Paulo.
Filhos de Gabriel Paulino da Costa e Maria Rosa. Ao todo o casal teve 13 filhos, mas se criaram 9. São irmãos de outra grande dupla: "Liu e Léu" e primos de primeiro grau de "Vieira e Vieirinha", pois o pai, o sr. Gabriel, era irmão de dona Gabriela (mãe de Vieira e Vieirinha). Família de tradicionais violeiros e cantadores. Zico e Zéca tiveram fortes influências dentro da própria família. O pai tocava viola e cantava. A mãe também cantava e tinha bons violeiros em sua família. Dona Maria Rosa tinha um tio chamado Ignácio que também cantava, e que segundo sr. Gabriel, não exitia outro igual. Messias Garcia, que fez parte da famosa "Turma Caipira Cornélio Pires" nos anos de 1929 e 1930, era primo de segundo grau de dona Maria Rosa. Zico e Zéca e os demais irmãos foram criados em sua terra natal, Itajobi, trabalhando nas lavouras de café, e nas horas vagas se apresentavam nas festas das fazendas da redondeza, onde cantavam e dançavam catíra.
Começaram a cantar em rádio em 1948, na Rádio Novo Horizonte (prefixo ZYS-9), de Novo Horizonte/SP, no programa do Nhô Tomé, com o nome de "Irmãos Cunha" (que era um apelido de família, onde o pai do sr. Gabriel era conhecido como Cunha, e isso continuou na família, e ali todos eram conhecidos como Cunha).
Foram bem aceitos pelos ouvintes, e começaram a se apresentar todos os finais de semana (sábados e domingos) em um programa de 30 minutos, patrocinado pelas Casas Pernambucanas, e Casa Texedal. Na época, eles ainda não tinham repertório próprio, e cantavam músicas das duplas da época, tais como Tonico e Tinoco, Zé Carreiro e Carreirinho, Serrinha e Caboclinho, Raul Tôrres e Florêncio, Palmeira e Luizinho, entre outras. Ali permaneceram até 1951.
No final de 1952, Zéca foi para São Paulo, onde seus primos Vieira e Vieirinha já estavam atuando nas emissoras da capital. Ali começou a cantar com Teddy Vieira, Zé Carreiro e Sulino, até que Zico também foi para a capital, e em 1º de janeiro de 1953, estrearam na Rádio Bandeirantes, no programa mais famoso da época, chamado "Na Serra da Mantiqueira", onde cantaram três músicas com o nome de "Os Filhos de Itajobi". O programa era apresentado pelo Comendador Biguá, porém pertencia a Sílvio Motta (nascido em Cruzeiro/SP, próximo à Aparecida do Norte). Sílvio Motta fazia parte de uma dupla chamada "Motta e Motinha", que se desfez quando Motinha se casou com Nhá Fia, e foi trabalhar no circo. Sílvio Motta foi para a Rádio Bandeirantes, e criou o programa "Na Serra da Mantiqueira", que recebeu este nome por ele ter nascido em Cruzeiro, que se situa bem no pé da Serra da Mantiqueira.
Serrinha ouviu "Os Filhos de Itajobi" pelo rádio, gostou muito da dupla e os incentivou a seguir em frente, inclusive os presenteou com um casal de instrumentos. Faltava um nome que pudesse marcar bem a dupla. Então o programa "Serra da Mantiqueira" lançou um concurso para a escolha dos nomes artísticos. Receberam inúmeras cartas. Venceram o concurso os ouvintes José Ferro, de Novo Horizonte/SP, e Terezinha, de Ouro Fino/MG, que sugeriram o nome de "Zico e Zéca".
Depois de três meses atuando no "Serra da Mantiqueira", uma conhecida marca de conhaque interessou-se em em patrocinar um programa de música sertaneja com uma dupla que pudesse ficar como exclusiva da audição. Daí foram contratados pela Rádio Bandeirantes para se apresentarem das 8:15 às 8:30 hs da manhã, no Programa "Palhinha no Sertão".
Teddy Vieira - um verdadeiro "olheiro" de talentos para o disco - levou-os para a gravadora Colúmbia, onde em maio de 1954 gravaram seu primeiro disco de 78 rotações, com as músicas "Pracinha" (cururu de Teddy Vieira e Serrinha) e "Besta Bailarina" (moda de viola de Teddy Vieira e Capitão Barduíno), disco este que lhes levou o nome por todo o país, projetando-os definitivamente como a mais promissora das novas duplas.
Dois meses depois lançaram o segundo disco 78 rpm, com as músicas "A Caneta e a Enxada" (toada de Teddy Vieira e Capitão Barduíno) e "Capelinha de Chico Mineiro" (toada de Teddy Vieira e Biguá).
Daí para a frente o nome da dupla foi cada vez crescendo mais, e a cada dois meses mais ou menos lançavam um novo disco. Receberam o slogan de "Os Violeiros que Trazem na Voz a Alma do Sertão". Depois de um tempo fazendo o Programa "Palhinha no Sertão", foram contratados pela Rádio Nacional de São Paulo, onde faziam três programas semanais, revezando com a dupla Tonico e Tinoco, que se apresentavam às segundas, quartas e sextas-feiras, e Zico e Zéca se apresentavam às terças, quintas e sábados, no final da tarde. O programa era apresentado por Odilon Araújo e José Russo. Depois foram para a Rádio Tupi, onde faziam o Programa "Imagem do Sertão", junto com a dupla Luizinho, Limeira e Zézinha. Voltaram para a Rádio Bandeirantes, nos famosos programas "Serra da Mantiqueira" e "Brasil Caboclo", onde permaneceram até o início da década de 60. O "Marechal da Música Sertaneja", Geraldo Meirelles, abriu um programa na Rádio 9 de Julho e Zico e Zéca com a autorização de Capitão Barduíno, se apresentavam simultaneamente nas duas emissoras. Depois ficaram uma temporada fora do rádio, mas continuaram gravando e fazendo shows por todo o Brasil, se apresentando em circos e festas de cidades, sempre com muito sucesso. Em 1963, as grandes duplas estavam todas na Rádio Tupi, e a Rádio Globo comprou a Rádio Nacional de São Paulo. Edgard de Souza abriu uma linha sertaneja no horário nobre, e Zico e Zéca se apresentavam às quartas-feiras, das 20:00 às 20:30 horas, sempre com muita audiência. Aí as duplas que se apresentavam na Tupi foram também para a Rádio Globo. Zico e Zéca ficaram nesta emissora por aproximadamente dez anos. Em 1967, esta mesma emissora promoveu um festival, onde muitas duplas participaram, e Zico e Zéca tiraram o primeiro lugar com a música "Catira", empatando com Duo Glacial com a música "Poeira". Em 1973, a Rádio Record de São Paulo abriu uma famosa linha sertaneja, sendo apresentada por Sebastião Víctor, que tinha o nome de "Linha Sertaneja Classe A", onde Zico e Zéca se apresentaram por dois anos, em programas semanais.
Passaram pelas mais importantes gravadoras de São Paulo. A primeira a lhes abrir as portas foi a "Colúmbia", dirigida por Roberto Corte Real, onde gravaram 20 discos 78 rotações. Em 1958 foi fundada a Gravadora Chantecler, que era dirigida por Teddy Vieira, Palmeira e Jairo, e Zico e Zéca foi uma das primeiras duplas a serem contratadas, onde permaneceram por dez anos. Depois passaram a gravar pela "Continental". Gravaram dois discos pela "Tropicana", de Roberto Stanganelli. Gravaram três discos pela Gravadora "Beverly", e em 1979, os irmãos Liu e Léu montaram sua própria gravadora, a "Tocantins", e Zico e Zéca também foram para lá, e gravaram quatro discos. Depois disso se afastaram uma longa temporada do disco. Muito ao contrário do que se pensa ou se diz, Zico e Zéca jamais abandonaram a carreira artística, apenas deixaram de gravar, mas continuaram fazendo shows por todo o Brasil, e se apresentando em inúmeros programas de TVs, tais como: "Viola Minha Viola" da TV Cultura, apresentado por Inezita Barroso, que já está no ar há 32 anos, "Frutos da Terra" da TV Anhangüera de Goiânia, apresentado por Hamilton Carneiro, "Na Beira da Mata" também da TV Anhangüera de Goiânia, apresentado por João Veloso (da dupla Veloso e Velosinho) e Carlos Veloso, e "Brasil Caipira" da TV Agro Canal de Brasília (atualmente pela TV Câmara), apresentado por Luiz Rocha, todos grandes amigos da dupla. Em 1999, depois de dezessete anos sem gravar, Zico e Zéca voltam ao mundo do disco e lançam o CD "Novos Tempos", pela Gravadora Laser Records. Em 2001 lançam o CD "Cadeia da Saudade", e em 2003 gravaram pela Atração o CD "Troca Tapas". Em 2005 participaram do DVD "100% Caipira" - Vol. 01, com a música "A Melhor Laçada".
Esta tão consagrada e querida dupla, que foi apadrinhada por Teddy Vieira e Serrinha, gravou ao longo de sua carreira 36 discos de 78 rpm, 38 Lps, 3 Cds de lançamento e vários CDs de coletânea.
A grande marca registrada da dupla foi sem dúvida "A Caneta e a Enxada" e "Dona Jandira". Foram inúmeros os sucessos que fizeram, dentre os quais citamos "Pracinha", "Força do Destino", "Dona Felicidade", "Namoro no Portão", "Sinhá Joana", "Querer Bem", "Duas Balas de Ouro", "Recordando o Passado", "Casamento sem Convite", entre tantos outros.
Zico e Zéca cantaram juntos profissionalmente por 54 anos e meio. A dupla só veio a se desfazer por uma fatalidade do destino. Após uma apresentação na cidade de Santa Rita do Passa Quatro/SP, em 22 de abril de 2007, Zico sofreu uma queda acidental, batendo fortemente a cabeça onde fraturou o crânio. Foi internado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde passou por uma cirurgia e ficou hospitalizado por 38 dias. Seu quadro veio oscilando até que entrou em coma, e infelizmente no final da tarde de 30 de maio de 2007, calou-se para sempre a mais bela primeira voz que o Brasil já conheceu, deixando uma enorme lacuna no cenário sertanejo. Zico foi sepultado em sua terra natal, Itajobi/SP, na tarde de 31 de maio, recebendo homenagem de seus parentes, amigos e fãs.
Mas toda essa trajetória trilhada por esta maravilhosa dupla não poderia acabar. Seu irmão Zéca, resolveu dar continuidade a este trabalho, formando uma nova dupla com o filho do Zico, Jarbas Bernardo da Costa, também nascido em Itajobi, em 25 de outubro de 1951, que devido à semelhança física e a um apelido de família adotou o nome de Zico Filho, formando então a dupla "Zéca e Zico Filho", e em 2009 lançam seu primeiro trabalho em disco pela Gravadora Allegretto, intitulado "Casinha Amarela", música em homenagem ao grande e inesquecível Zico. A dupla veio a se desfazer com o falecimento de Zéca ocorrido em 28 de setembro de 2013.

 

LIU E LÉU

 

Liu e Léu

Liu e Léu

Lincoln Paulino da Costa (Liu) nasceu em 07 de agosto de 1934, e Walter Paulino da Costa (Léu) nasceu em 02 de abril de 1937, ambos em Itajobi, interior do estado de São Paulo. Filhos de Gabriel Paulino da Costa e Maria Rosa Mendes. São os caçulas dos nove irmãos. Vindos de uma família de tradicionais cantadores, tiveram uma forte influência dos pais, que também cantavam. Aliás, todos ali cantavam, sem nunca sequer imaginar que um dia quatro membros desta família fossem ser profissionais de tão alto gabarito, e alcançar tanto sucesso. Cantavam mais por brincadeira, à tardezinha no terreiro quando vinham da roça, em revezamento com os demais irmãos. Eram sempre convidados a participarem das festas da região para cantar e dançar catíra, outra característica marcante na família. São irmãos dos famosos Zico e Zéca, e primos de Vieira e Vieirinha.
Vieira e Vieirinha foram os primeiros a partirem para a carreira profissional, em 1950.
Em 1952, Zéca foi para São Paulo para formar dupla com Zé Carreiro, mas lá encontrando com Teddy Vieira, que sugeriu que ele cantasse com um irmão, pois dupla de irmãos sempre dá mais certo. Então foi aí que Zico também partiu para a capital, e estrearam no rádio em 1º de janeiro de 1953.
Os irmão Lincoln e Walter continuaram no interior trabalhando nas lavouras de café, e cantando nas horas vagas.
Walter começou no rádio primeiro, formando dupla com um vizinho. Era a dupla "Sampaio e Neném Cunha". Se apresentavam na Rádio Emissora ZYS-9 de Novo Horizonte/SP (que era conhecida como a Emissora do Vale do Tietê).
Em 1957 foram para São Paulo, no intuito de arranjarem emprego e melhorarem de vida, nem passava pela cabeça deles em seguirem a carreira artística. Com apenas alguns dias que eles estavam em São Paulo, foram à Rádio Bandeirantes para
assistirem a festa de aniversário do Programa "Brasil Caboclo", que era apresentado por Capitão Barduíno. Como na época seus irmãos Zico e Zéca já eram bastante famosos, muita gente ali comentou que ali na platéia estavam os irmãos de Zico e Zéca. Depois que o programa já havia terminado, a festa continuou para a platéia, e foram convidados para cantar. Pegando instrumentos emprestados, cantaram a música "Meu Ranchinho", de autoria de Dino Franco. Zacarias Mourão os convidou a participar de seu programa, e a estréia oficial de Liu e Léu, ocorreu em 05 de novembro de 1957, no Programa "Novidades Sertanejas", na Rádio Bandeirantes, apresentado por Zacarias Mourão de manhãzinha. Participaram uma boa temporada deste programa, depois começaram a participar dos programas tradicionais da época, como "Serra da Mantiqueira" e "Brasil Caboclo". Em 1959, apoiados por Teddy Vieira, que já era um grande amigo da família, pois muito antes de Liu e Léu irem para São Paulo, Teddy vieira já havia ficado alguns dias na fazenda em que moravam em Itajobi, Liu e Léu foram contratados pela gravadora Chantecler, para gravarem o seu primeiro disco de 78 rotações. O diretor da gravadora na época era Palmeira. Teddy Vieira também ocupava um bom cargo dentro da gravadora.
Então 1959 gravaram seu primeiro disco com as músicas "Rei do Café" (de Teddy Vieira e Carreirinho) e "Carreiras de Cururu" (de Piraci, Biguá e Teddy Vieira). Já logo em seguida gravaram o segundo 78 rpm, com as músicas "Boiadeiro Errante" (de Teddy Vieira) e "Baile na Roça" (de Teddy Vieira e Zico).
Continuaram gravando e participando dos programas da Rádio Bandeirantes. Em 1960 foram para a Rádio 9 de Julho para participarem do Programa "Prelúdio Sertanejo", apresentado por Geraldo Meirelles.
Em 1962, a música "Meu Ranchinho" foi premiada com a melhor do ano. Foi aí que surgiu a oportunidade de gravarem o primeiro LP da dupla, pela gravadora Chantecler, intitulado "Nosso Rancho". Ficaram na Rádio 9 de Julho até 1963, quando foram contratados pela Rádio Nacional para participarem da linha sertaneja apresentada por Edgard de Souza.
Em 1967 a Rádio Nacional promoveu um Festival de Música Sertaneja, onde só participaram duplas profissionais, e Liu e Léu participaram e defenderam quatro músicas: "Bambico, Bambuê", "Canção da Simplicidade", "Cascata" e "A Terra e o Homem". A música "Canção da Simplicidade" foi para a final.
Depois de uma longa temporada na Rádio Nacional, foram convidados para participarem do mais famoso programa sertanejo da Rádio Record de São Paulo, o "Linha Sertaneja Classe A", apresentado por Sebastião Víctor, e mais tarde por José Russo. Ali permaneceram por mais ou menos cinco ou seis anos. Depois que saíram da Record, foram para a Rádio Tupi participarem do Programa do Caboclão.
Em 1981 foram contratados pela Rádio Globo de São Paulo, para participarem do Programa "Sábado Especial", apresentado por Zancopé Simões aos sábados das 19:00 às 19:30 horas, onde permaneceram por dois anos. Em 1984 voltaram para a Rádio Record, para participarem do "Linha Sertaneja Classe A" novamente, desta vez apresentado por Carlito Martins, aos domingos das 18:00 às 18:30 horas, e simultaneamente participavam do Programa "Alvorada Sertaneja Classe A", também pela Rádio Record, apresentado por Carlito Martins às quartas-feiras, das 05:00 às 5:30 horas da manhã. Permaneceram nesta emissora por um ano. Em 1978 montaram a sua própria gravadora, a "Tocantins", onde deram oportunidade a muitas duplas. As primeiras duplas a gravarem na Tocantins, foram Genil e Genel, e Taviano Tavares.
Em 1980, Liu e Léu lançam seu primeiro trabalho na sua própria gravadora, intitulado "Sementinha", que fez muito sucesso. Lá gravaram um total de 07 discos. Seus irmãos Zico e Zéca também gravaram 04 discos pela Tocantins. Continuaram na direção da gravadora até 1992, quando resolveram vender a fábrica. Continuaram cantando, se apresentando em shows e programas de TVs, mas porém se afastaram do disco. Só voltaram a gravar em 2002, pela Atração, quando lançaram o CD "Jeitão de Caboclo".
Em 2009 lançam pela Tocantins o CD comemorativo de 50 anos de carreira, intitulado "50 Anos", onde se destacaram as músicas "Jardinheira Amarela" (Caetano Erba e Tião do Carro ) e "Sonho de Caboclo" (Tião do Carro e Ademar Braga).
Nestes 55 anos, Liu e Léu tiveram uma carreira brilhante, coroada de muito sucesso. Gravaram ao longo de sua carreira um total de 11 discos 78 rpm, 28 LPs, 02 CDs de lançamento e vários CDs de coletânea.
Entre seus grandes sucessos, citamos: "Boiadeiro Errante", "Caminheiro", "Sementinha", "O Ipê e o Prisioneiro", "Mãe de Carvão", "Rainha do Paraná", "Velho Pouso de Boiada", "Prato do Dia", "Rei do Café", "Dona Saudade", "Sonho de Caboclo", entre tantos outros.
Liu e Léu receberam de Dino Franco o slogan que define o real valor da dupla. São considerados "A Expressão Máxima da Música Sertaneja".
A dupla só veio a se desfazer com o falecimento de Liu, ocorrido em 04 de agosto de 2012.

Reportagem: Sandra Cristina Peripato
Colaboradores: Marilda Colombo Liberato, Catia Rosana Borsio Cardoso, Domingos Paulino da Costa (Zéca), Lincoln Paulino da Costa (Liu), Walter Paulino da Costa (Léu), Marlene Bernardino Vieira, Adhail Vieira Marques, Isaías Vieira e Sibely Maria Vieira

 

Praça dos Violeiros

Foto gentilmente cedida pela jornalista Marilda Colombo Liberato

Montagem: Sandra Cristina Peripato

Discografia Completa de Vieira e Vieirinha

Discografia Completa de Zico e Zéca

Discografia Completa de Liu e Léu

 

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