Prezados amigos e admiradores da nossa grande música sertaneja de raíz, ao qual serei fiel enquanto viver, e dentre as tantas histórias de minha trajetória musical existe uma que nunca mais esquecerei, e quero aqui falar um pouquinho de uma que aconteceu comigo quando eu ainda era muito jovem e vivia com a violinha embaixo do braço tocando e cantando na região de Botucatu, foi quando eu comecei a me apresentar além das rádios também em circos que passavam pela minha cidade de Botucatu e lá ía eu cantar nos picadeiros desses circos, e fiz muitas amizades com os artistas que lá iam também se apresentar, e foi justamente em janeiro de 1978 que fui contratado pelo grande palhaço "Rabanete" para me apresentar em seu circo na pequenina cidadezinha de Vitoriana, bem próximo à Botucatu, e me lembro que chovia quase todos os dias pois era o mês das águas (janeiro) e para chegar até a cidadezinha de Vitoriana onde o Circo do Rabanete estava instalado era uma grande dificuldade pois a estrada era de terra e além disso existe a serra um declive muito perigoso, a Prefeitura de Botucatu quando chegava esse período das chuva deixava um grande trator para que rebocasse as conduções que por lá encalhavam, era um "barro" só, e foi numa sexta feira que recebi o recado que a dupla de meninos Chitãozinho e Chororó ainda com CH no Xororó, iriam se apresentar logo mais a noite no Circo do Rabanete, me passaram o nome do Hotel que eles estavam hospedados em Botucatu e que era para mim acompanhá-los juntamente com seu pai o Sr. Mário até a cidadezinha de Vitoriana, a tarde passei pelo Hotel São José (ainda existe esse hotel aqui em Botucatu) e lá fomos nós a caminho de Vitoriana em meio a uma chuva que não cessava de jeito nenhum, descemos toda aquela serra em meio à um lamaçal de terra vermelha que nem sangue, só sei dizer que foi cancelado esse show e transferido para o domingo, voltei com a dupla até Botucatu e os deixei novamente no Hotel, a dupla ficou em Botucatu e no domingo fomos à Vitoriana me lembro que a minha dupla fêz a abertura deste show e eles brilhantemente fizeram um grande show e cantaram a música "GALOPEIRA" sucesso que eles interpretaram maravilhosamente muito bem, até hoje quando vou à Vitoriana encontro com amigos e amigas da época e eles lembram perfeitamente deste grando show de Chitãozinho e Xororó, meu amigo dono do Circo Rabanete ainda esta vivo e trabalhando com animação de festas aqui em Botucatu onde passou a residir, e sempre que nos encontramos relembramos as grandes passagens de nossas vidas referente às grandes duplas e artistas que passaram pelo seu circo, além de Chitãozinho e Xororó, ex: Tião Carreiro e Pardinho, João Mineiro e Marciano, Tonico e Tinoco, Zé Tapera e Teodoro, Zilo e Zalo e tantos outros aos quais me tornei amigo também, recentemente me encontrei com meu amigo Mairiporã da EMPRESA MAIRIPORÃ PROMOÇÕES ARTISTICAS que na época também em final de 1978 lançou a dupla Pardinho e Pardal, e foi também justamente nesse Circo do Rabanete que foi feito o lançamento do primeiro disco da dupla "O menino da Tábua" e lá estava eu com a minha dupla fazendo a abertura deste grande show também inesquecível por mim e pelos moradores de Vitoriana.
Só pra terminar, também me tornei um grande amigo do Zé do Rancho, que é sogro do Xororó, nos tornamos grande amigos e nos falamos quase todas as semanas, Zé do Rancho é um grande Mestre dos Mestres em matéria de música ráiz e arranjos musicais para as mesmas, um exímio violeiro e violonista, cantador e compositor dos melhores que eu conheço neste Brasil, fêz parte da grande dupla "SERRINHA E ZÉ DO RANCHO", Serrinha (Antenor Serra) é nascido e sepultado em Botucatu.
Espero que todos tenham gostado;
Grande abraço... logo eu conto outra!!!
Abraços:
Ramiro Vióla.

FATOS ACONTECIDOS NAS CANTORIAS
Mais ou menos em 1974 quando ainda as apresentações em circos era muito forte, principalmente os shows com duplas sertanejas aqui na minha região (Botucatu) eram constantes a vinda de muitas duplas devido ao grande relacionamento artístico que detinha o grande Radialista Sertanejo Walter Contessotti, ele era assim um tipo de empresário de muitas duplas que além da divulgação dos discos (vinil) em seus programas de rádio, Rádio PRF-8 e Rádio Municipalista ele é quem agendava e divulgava as apresentações das duplas nos circos que se encontravam na cidade ou região, um belo trabalho por sinal muito significante em prol da música sertaneja de raíz e também de seus artistas, autores e intérpretes, esse meu amigo Walter Contessotti falecido em 03 de Janeiro de 2009 com 68 anos de idade, o Wartão (como era conhecido) deixou muita saudade nos meios de comunicação em Botucatu, ainda recentemente em fevereiro de 2010 através de meu pedido pessoal (Ramiro Vióla) ao vereador Professor José Gamito foi oficializada através do projeto de lei nº 003/2010 que originou a lei nº 5.109 de 22 de Fevereiro de 2010, a Rua 5 localizada no Conjunto Habitacional “Engenheiro Francisco Blasi” na COHAB do SESI em Botucatu próximo ao Bairro 24 de Maio com o nome de Rua Walter Contessotti (Radialista), depois de tudo isso feito foi que eu soube que seu filho Walter Jr. Mora nesta mesma rua agora com o nome de seu pai, enfim coisas de Deus!!!ao meu ver uma justa homenagem ao grande radialista sertanejo da cidade de Botucatu, Sr. Walter Contessotti.
Nesta época eu já tinha uma dupla, através de meu amigo radialista Walter Contessotti fomos convidados para se apresentar fazendo a abertura de um show da dupla “Zé Tapera e Teodoro” o mesmo Teodoro da dupla atual “Teodoro e Sampaio” a apresentação seria no “Circo do Pinduquinha” no Bairro do Lavapés em Botucatu a partir das 20hs, e lá fomos nós com viola e violão, mas antes da nossa apresentação os artistas do circo apresentaram um número de circo que me lembro muito bem era uma peça de teatro ao qual eles usavam um Caixão de Defunto (sem tampa) no palco simbolizando um Velório, uma peça cômica e muito divertida ao qual a assistência riam e aplaudiam muito, nós (a dupla) ficamos nos camarins a uns poucos metros atraz do palco do lado de fora do circo, quando a peça chegou ao final, fecharam-se as cortinas o pessoal do circo retirou o Caixão de Defunto e os colocaram bem próximo a entrada dos fundos, justamente ao lado da porta por onde tinha-mos que passar, essa entrada para o palco do circo não tinha degraus e o nível do palco em relação ao piso externo era meio alto, então quem estava no tablado do lado de cima dava a mão e puxava quem ainda estava na parte de baixo, quando o locutor anunciou a nossa apresentação dali à 3 minutos eu saí na frente e dei a mão ao Pinduquinha (dono do circo) ele me puxou pra cima do palco e eu fiquei ali bem próximo da entrada para o palco, nesse momento escutei aquele barulho imenso, ao olhar pra traz não vi o meu parceiro, somente uma gritaria lá embaixo em cima do Caixão de Defunto, o fato é que meu parceiro quando já estava no tablado do circo já na parte de cima veio uma senhora muito gorda que trabalhava no circo e lhe pediu para que ele o ajudasse a subir, meu parceiro vendo que não iria agüentar com todo aquele peso segurou com uma das mãos no pano do circo para se afirmar e puxar a senhora gorda... rasgou o pano com o excesso de peso e os dois caíram dentro do Caixão de Defunto.. a mulher embaixo e ele em cima com o violão e tudo...
Esta foi uma das muitas passagens acontecidas em minha trajetória de cantoria que ainda vou contar aqui prô cêis!!!!
Abraços,
Ramiro Vióla.
“Viver não é esperar a tempestade passar... é aprender a como dançar na chuva”.
