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Orlando Bianchi, o Caçula, nasceu em São José do Rio Preto-SP no ano de 1934, e Benedito Brás dos Reis, o Marinheiro, nasceu em Piracanjuba-GO no ano de 1929.
Não confundir o Caçula da dupla "Caçula e Marinheiro" com o Caçula que formou dupla com Mariano na inesquecível Turma Caipira de Cornélio Pires. Trata-se apenas de coincidência de nome artístico, assim como o Chitãozinho da dupla "Adolfinho e Chitãozinho", que não tem nada a ver com o Chitãozinho que canta em dupla com seu irmão Xororó.
Orlando começou como "menino-prodígio" da sanfona e se apresentou na Rádio Rio Preto, em sua cidade-natal, com apenas 7 anos de idade, no ano de 1941. Gravou seu primeiro disco aos 20 anos de idade pela gravadora Star (que mais tarde veio a ser a gravadora Copacabana), tendo no lado A a guarânia "Dulcelina" (Mirinho) e no lado B a moda campeira "Preguiçoso" (Durval de Souza), interpretação a cargo dos Irmãos Souza e Caçula.
Ao que consta, os Irmãos Souza, juntamente com Caçula, gravaram 5 Discos 78 RPM entre 1953 e 1957, com composições de Zé Mariano, Zé do Rancho, Zé do Pinho, Bolinha e Caçula.
Foi por essa época, ainda em São José do Rio Preto-SP, que Caçula conheceu o Violeiro Zé do Rancho, que formava então uma dupla com Bolinha. Formaram então um trio, no ano de 1955.
No ano seguinte, Orlando conheceu Benedito na Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP. Benedito, por sua vez já tinha o nome artístico de Marinheiro e formava com Cândido de Paula Brasão a dupla "Brasão e Marinheiro" (Cândido de Paula Brasão foi também o "primeiro Brasão" da dupla Brasão e Brasãozinho; com o falecimento prematuro de Cândido, o Brasão passou a ser Adésio Silvestre e, após algum tempo, o "terceiro Brasão" passou a ser José Firmino da Silva Filho).
A dupla "Brasão e Marinheiro" gravou 2 Discos 78 RPM pela Copacabana: Nº 5.597 (gravado em 1956), tendo, no lado A, o cururu estilizado "É Chato Gostar" (Goiá e Brasão) e, no lado B, o xote "Sul de Minas" (Vantuil, Brasão e Marinheiro) (nesse disco, Vantuil acompanhou "Brasão e Marinheiro") e o Nº 5.807 (gravado em 1957), tendo, no lado A, a toada "Versos da Saudade" (Brasão) e, no lado B, a valsa intitulada "Valsa do Amor" (Brasão e Marinheiro).
Pouco tempo depois de terem se conhecido, Orlando e Benedito formaram a dupla "Caçula e Marinheiro", a qual passou a se apresentar no inesquecível programa "Alvorada Cabocla", nos 1100 kHz da Rádio Nacional de São Paulo-SP (hoje Rádio Globo), sob o comando do Radialista Nhô Zé.
Caçula e Marinheiro gravaram o primeiro disco 78 RPM pelo selo Sertanejo (PTJ-10.068) em março de 1960, tendo no lado A a guarânia "Não Chores Assim" (Caçula e Marinheiro) e no lado B a canção rancheira "Destino de um Boêmio" (Marinheiro e Caçula).
Em agosto do mesmo ano, a dupla gravou o segundo disco 78 RPM, também pelo selo Sertanejo (PTJ-10.114), com a guarânia "Volte Para Mim" (Caçula e José Rosa) no lado A, e a canção-rancheira "Não Chores Mulher" (Marinheiro e Nhô Zé) no lado B.
Consta um total de 7 discos 78 RPM gravados por "Caçula e Marinheiro", entre 1960 e 1964. A dupla também gravou 18 LP's, entre 1961 e 1976, com destaque para belíssimas composições próprias tais como "Nossa União" (Caçula e José Russo), "Cantinho do Céu" (Caçula e Marinheiro), "Milagre de Papai Noel" (Marinheiro e Nelson Gomes), "Uma Cruz Desceu do Céu" (Marinheiro e Edgar de Souza), "Igrejinha da Serra" (Marinheiro), "Nada Afastará Você de Mim" (Caçula e Marinheiro) e "Acidente do Norte de Minas" (Marinheiro e Antônio Soares), além de belíssimas obras de outros grandes Compositores, tais como "Meu Passado" (Roberto Stanganelli e Rodolfo Vila), "Piracicaba" (Newton Almeida Melo), "No Colo da Noite" (Lindomar Castilho e Ronaldo Adriano), "Primeiro a Esposa" (Roberto Stanganelli e Roberto Nunes), "A Dama de Vermelho" (Jeca Mineiro e Ado Benatti), "De Longe Também se Ama" (José Rico e Jair Silva Cabral), "Ébrio de Amor" (Palmeira e Ramoncito Gomes) e "Boneca Cobiçada" (Biá e Bolinha), além da peça instrumental "Bosque das Andorinhas" (Roberto Stanganelli e Sulino).
Durante algum tempo, a dupla se transformou num trio, já que Clarinda Martins, que era filha do proprietário do Circo Irmãos Martins, no qual a dupla "Caçula e Marinheiro" costumava se apresentar, veio a ser a esposa do Marinheiro. A parte vocal ficava a cargo de Clarinda e Marinheiro, enquanto que o Caçula se encarregava dos solos de acordeon. O trio gravou durante dois anos na RCA.
Clarinda, no entanto, adoeceu e veio a falecer. A dupla "Caçula e Marinheiro" só voltou a cantar em 1967, trazendo no repertório diversas composições que homenageavam Clarinda, tais como "Aquele Dia Tão Triste" (Marinheiro, Hélio Ferreira e A. Gouveia), "Onde Estás, Meu Amor" (Marinheiro e Caçula) e "Pertinho de Deus" (Marinheiro).
Apesar dos 7 Discos 78 RPM e dos 18 LP's, lamentavelmente, pouquíssimas gravações de "Caçula e Marinheiro" foram remasterizadas em CD.
Texto: Sandra Cristina Peripato
Fonte: www.boamusicaricardinho.com

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